terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Quando até os ursos estão tristes...

Por vezes acordo vazia, sem um pingo de sentimento em mim. Não me lembro de quem sou, onde estou, porque estou... Não me lembro de nada. Visto-me na imensidão do vazio que em mim cresce, mais a cada segundo. Vou para a escola, adiando a minha chegada o mais possível. Espero não encontrar ninguém, mas acima de tudo, não me encontrar contigo, porque tu me fazes lembrar tudo aquilo que havia esquecido. Como se já estivesse escrito nas estrelas, vejo-te, mesmo na entrada da escola. Num segundo, volto a ser tudo o que era, volto a sentir o que não queria, volto a amar-te. Tento desviar o olhar seguir em frente, continuar, continuar... Esperava que não falasses comigo, mas de repente cumprimentas-me. De uma maneira estúpida, cumprimento-te, aos risinhos, infantilmente. Todo o amor é infantil, mas nem todo tem que ser triste. Como sempre, reparo que o cumprimento não era para mim, mas sim para uma rapariga mais velha. Sigo em frente tentando não sentir a humilhação. Pior do que não me amares, é não saberes que estou aqui, dia após dia, esperando por ti! Continuava assim os meus dias, tentando não pensar em ti. O Mateus, que se sentava ao meu lado, perguntava constantemente porque estava triste e distante, mas não lhe dizia que era por ti. Nunca liguei a esse rapazinho, que se sentava ao meu lado, tentava falar comigo, e eu a pensar em ti... Sempre e sempre em ti... Um dia, no meio de mais tristezas disse-me que não deveria chorar, porque os anjos não o fazem. Não liguei, simplesmente fui-me embora. Um dia depois o Mateus voltou a dizer-me, discretamente, o quanto gostava de mim, mas eu não ligava. Um dia, falaste comigo, e dessa vez, era comigo. Disseste que era gira, simpática e se eu queria sair contigo. Aceitei claro, e pela primeira vez, eu tinha um sorriso, mas o Mateus... não. Nem assim entendi. Contei-lhe do convite e disse-lhe onde era. Ele avisou-me que tu não aparecias, mas não liguei, para variar.
Vesti-me a preceito, bem penteada e perfumada. Apanhei um táxi, e lá fui. Quando lá cheguei nada. Era um restaurante fechado há mais de um ano, e como o Mateus já me tinha dito, tu não vieste. De trás do edifício vejo uma sombra a aproximar-se. Sonhei que fosses tu, mas era o Mateus. Disse-me que embora me tivesses feito isso entendia que eras especial para mim, pois apenas por ti sorri. Disse-me o quanto gostava de mim, e dessa vez ouvi. Despediu-se com um beijo e foi-se. Fiquei presa ao chão. Durante tanto tempo perferi acreditar em ti, uma pessoa popular e egocêntrica, com o rei na barriga e a perfeição na ideia. E tão perto de mim estava alguém que tanto bem me queria. O Mateus foi viver para fora, e já se passaram dois anos. Não sorri por mais ninguém, mas também mais ninguém me pergunta porque não sorrio. Escrevo-te esta carta, e para quem a quiser ler, para entenderem que às vezes quem nos faz sorrir em certos momentos não é o mais importante, mas sim aquele que se preocupa quando não estamos a sorrir...

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