Vesti-me a preceito, bem penteada e perfumada. Apanhei um táxi, e lá fui. Quando lá cheguei nada. Era um restaurante fechado há mais de um ano, e como o Mateus já me tinha dito, tu não vieste. De trás do edifício vejo uma sombra a aproximar-se. Sonhei que fosses tu, mas era o Mateus. Disse-me que embora me tivesses feito isso entendia que eras especial para mim, pois apenas por ti sorri. Disse-me o quanto gostava de mim, e dessa vez ouvi. Despediu-se com um beijo e foi-se. Fiquei presa ao chão. Durante tanto tempo perferi acreditar em ti, uma pessoa popular e egocêntrica, com o rei na barriga e a perfeição na ideia. E tão perto de mim estava alguém que tanto bem me queria. O Mateus foi viver para fora, e já se passaram dois anos. Não sorri por mais ninguém, mas também mais ninguém me pergunta porque não sorrio. Escrevo-te esta carta, e para quem a quiser ler, para entenderem que às vezes quem nos faz sorrir em certos momentos não é o mais importante, mas sim aquele que se preocupa quando não estamos a sorrir...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Quando até os ursos estão tristes...
Um Dia na Escola
O meu nome é Ana, tenho 25 anos, e a certeza de qual foi o dia mais feliz de toda a minha vida.Nasci numa família pobre, com mais de 10 irmãos. Era a mais nova, logo a menos importante. Todos os meus irmãos tinham já força para ajudar o nosso pai, ou idade suficiente para pedir, roubar ou casar. Todos menos eu. Era tratada como um fardo, uma despesa extra, e nunca como filha. Não conhecia mais ninguém para além da nossa barraca, porque em redor apenas havia mais ladrões, drogados ou criminosos mais perigosos, e não me atrevia a sair de casa. Não sei se se pode chamar-lhe casa, pois não tinha àgua, nem gás, nem luz e esgotos nem pensar. Passava o dia no meu cobertor a pensar como seria se fosse como os outros meninos e meninas, os mais ricos, os que passeavam e riam e brincavam e iam à escola.
Um dia o meu pai trouxe um jornal velho, que agarrei rapidamente. Vi na capa umas imagens coloridas que me cativaram. Perguntei à minha mãe o que eram e ela leu: "Concurso de sonho, participe! Se ganhar concretizaremos todos os seus sonhos durante um dia. Para todas as idades. Valor de participação 1€", e ao acabar de ler deita o jornal para a nossa lareira improvisada. Sorri abertamente. Numa quarta-feira, quando todos estavam fora, corri para fora de casa com um anel que a minha me havia ofercido quando tinha apenas 5 anos. Vendi-o a um homem feio, por 2€ apenas e corri para a papelaria mais próxima. Com a ajuda de uma velhinha, preenchi duas inscrições e voltei para casa.
A semana seguinte foi passada como de costume. Fechada, sem nada para fazer e sozinha. E sozinha estava quando de repente entra um homem de fato na barraca, e olhando em volta com cara de quem quer desatar a fugir, disse-me:
-És a Ana? Foste tu que te inscreveste no nosso concurso de sonho?
-Sim... - respondi.
-Então parabéns! Durante um dia serei obrigado a satisfazer todos os teus desejos!
Expliquei ao bom homem que queria passar um dia na escola e embora me tivesse estranhado, lá me levou.
E esse foi sem dúvida o dia mais feliz da minha vida. Aliás, acho que esse foi na verdade o primeiro dia da minha vida! Aprendi a ler e a escrever muitíssimo rápido. Aprendi os números. Fiz amigos e brinquei, brinquei até cair para o lado. Foi fantástico!
Depois voltei à minha monótona vida, mas os meus recentes amigos iam visitar-me todos os dias depois das aulas, e traziam-me as lições. E graças a ter passado esse dia na escola, hoje sou médica, rica e popular. Hoje posso dizer seguramente, sou feliz!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Um amor feito de acasos (ou não?)
Um dia, ia andando alegremente pela rua. Com dois sacos de compras numa mão, e a trela da minha cadela na outra. Entrei na loja de animais para comprar uma coleira nova. A Pita, nome da minha cadela, fazia dois aninhos.Ao sair, aconteceu. Dei um valente encontrão num homem. Moreno, olhos verdes, estão a ver a situação? Digna de filme. Apanhei as compras, mas a Pita fugiu-me da mão. O homem correu atrás dela. Não teve que ir muito longe. Ela tinha parado perto de um labrador castanho, lindíssimo. A minha cadela era também um labrador, mas bege.
O homem começa a chamar: "Gato! Anda cá Gato!". Primeiro pensei que era doido. Mas a seguir pensei: "Bem, é giro, e ninguém é perfeito", então resolvi dizer: "Meu senhor, é uma cadela e chama-se Pita". O homem desatou-se a rir. Quando o cão castanho se chegou a ele ainda este se ria a bandeiras despregadas. E eu no chão, agachada, a apanhar as compras e a olhar com ele com cara de parva. Ele esclareceu-me "Gato, é o nome do meu cão. E o meu é Miguel", e foi assim que tudo começou.
Passámos a ir à loja de animais até quando não era preciso. Os nossos cães é que saíram a ganhar. Prendas a torto e a direito! Um dia encontramo-nos por acaso (ou será que não?) num show de cães. Lá, havia uma espécie de creche para os cães. Deixamos lá os nossos e fomos assistir ao show. Foi super divertido. Trocamos números de telemovel e um beijo na face como despedida. Fomos buscar os cães de mão dada. O responsável disse: "Este casalinho não se largou! Imaginem o que fizeram no meu recinto? Exactamente! Aqui mesmo! E ninguém os conseguia separar!". Eu e o Miguel rimo-nos sem perceber bem do que o homem falava. Apenas uma semana depois, quando a minha cadela começou a ficar estranha é que percebi.
Levei-a ao veterinário e confirmou-se. A Pita estava à espera de bebés! Telefonei ao Miguel e contei-lhe. Combinamos depois um lanche num parque com relva e espaço para o Gato e a Pita correrem. Foi uma tarde esplendida. Comemos um gelado enquanto o Gato trazia prendas à Pita. Desde discos e bolas que roubava às crianças até um cachorro quente que tirou ao vendedor. Ficou zangado, mas pagámo-lhes e não deu mais problemas. Como o cão era fofo para a minha menina.
Eu e o Miguel observávamo-los de perto enquanto discutíamos nomes para os cachorrinhos. Estávamos sentados numa mesa de piquenique, quando, durante risos e risotas as nossa mãos se tocaram. Ficamos a olhar um para o outro. Aproximamo-nos devagar, sentindo o momento. Em vão, pois quando era a hora H como se custuma dizer, o Gato salta para cima da mesa e lambe-me a cara toda. Fartamo-nos de rir. O nosso amor estava a acontecer, mas as peripécias e coincidências melhoraram tudo. Em vez de um namoro assumido e lamechas, nós tínhamos uma amizade colorida, mas divertida.
Nesse dia fomos os quatro jantar a um restaurante chinês. A risota foi uma constante, pois não agarrávamos nada com os pauzinhos! Foi hilariante, e mais uma vez, nada foi forçado. Nem beijos nem conversas embaraçadoras. Parecíamos dois adolescentes a curtir a vida. Mas ele tinha vinte e um e eu vinte. Ficamos com imensa fome, mas pouco importou. Despedimo-nos sem combinar mais nada. Tínhamos optado por confiar no destino. E este, mais uma vez, não nos falhou.
Encontramo-nos dois dias depois no super mercado. A Pita ficou aos pulos ao ver o Gato, e o meu coração ao ver o Miguel. Estava a apaixonar-me. Combinamos ir ao cinema nessa noite, desta vez sem os cães. Vimos o que se recomenda, uma comédia romântica. Sempre de mãos dadas rimos durante todo o filme. Ele levou-me a casa. Despedimo-nos como sempre, mas quando eu ia a entrar ele puxa-me e dá-me um beijo. E desta vez não na cara. Mas na boca. Foi curto, mas bom. Entrei, com um sorriso na cara, não conseguia escondê-lo, e se tentasse seria inútil. Era de orelha a orelha! Atirei-me para cima da cama e a Pita saltou comigo. Adormeci assim. Sem sequer vestir o pijama.
Na semana seguinte não nos vimos nem nos contactámos. Quando já estava a pensar o pior, ele liga-me e combina uma ida à discoteca, da qual ele iria ser o DJ. Aceitei, claro. Estava mesmo empolgada. Não sabia o que vestir. Já não tinha quinze anos. Telefonei à minha prima de dezassete. Foi a minha casa, pois considerámos aquilo, uma emergência. Ela abriu o meu armário e disse-me algo assim: "Ana, vives em que século? Nada disto é in! Temos que ir às compras!". Não me deu margem para lhe dizer que faltavam apenas cinco horas para o encontro.
Fomos ao shopping. Entramos numa loja de roupa, claramente, para adolescentes. Tentei dizer-lhe que idade eu tinha, não que ela não soubesse, mas apenas para recordá-la. De pouco, ou de nada me serviu. Mostrou-me uma saia. Poderia chamar-lhe mini-saia, mas se o fizesse estaria a mentir. A saia era mais, mini-mini-mini-saia! Abanei a cabeça em sinal de desacordo. E apontei para a zona das calças. A minha prima bufou, como quem diz, "és sempre a mesma coisa!". As calças compridas estavam muito perto de mim, mas não o suficiente para me escapar dos corsários. A minha prima pegou em quatro e empurrou-me para a cabine de prova. Provei-os. Achei surpreendente o facto de eu não gostar deles, mas achar que me ficavam lindamente! A minha prima viu-me com eles, um a um e disse apenas "Levas os de ganga". Para ela, escolher a roupa era algo muito profissional, e nem esboçava um sorriso. Andava sempre com um ar superior. Depois fomos para a secção das camisolas. "Uma branca ou uma vermelha, escolhe", foi isto que ela disse, mas começou a pegar num monte delas antes de eu poder responder. Mais uma vez lá fui eu de encontro à já minha conhecida cabine de prova. Em relação às camisolas estava disposta a ser eu a escolher. Depois de provar todas, e de mostrá-las à minha prima, disse "Quero esta branca! É a que eu gosto mais...", ao que ela respondeu "Tudo bem podes comprá-la, mas vais usá-la noutro dia que não hoje. Levas esta vermelha para a festa". Ela podia só ter dezassete anos, mas tinha um grande poder de persuasão. Tive que levar as duas mais os corsários. Quando pensei que aquela montanha russa ia acabar, voltei a surpreender-me. A minha prima empurrou-me, literalmente, para dentro do cabeleireiro. A mulherzinha começou a cortar aqui e ali e eu já nem podia ver...
Mas no fim daquela odiseia, tenho que dar a mão à palmatória, eu estava estonteante. Chamámos um táxi rapidamente, e entrei, não antes da minha prima me dar mil conselhos, como se aquela fosse o meu primeiro encontro. Mas o certo é que não parava de me perguntar: "Como será que vai correr?", "Vai acontecer alguma coisa de extraordinário?", "Vamos finalmente começar a namorar?", mas as respostas não fluiam tanto e tão depressa como as perguntas...
Mas no fim daquela odiseia, tenho que dar a mão à palmatória, eu estava estonteante. Chamámos um táxi rapidamente, e entrei, não antes da minha prima me dar mil conselhos, como se aquela fosse o meu primeiro encontro. Mas o certo é que não parava de me perguntar: "Como será que vai correr?", "Vai acontecer alguma coisa de extraordinário?", "Vamos finalmente começar a namorar?", mas as respostas não fluiam tanto e tão depressa como as perguntas...
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Bem espero tenham gostado, porque vou fazer uma pequena malandrice que por vezes gostava que certos escritores fizessem, só para variar. Não vou continuar a história, mas vocês vão! O início já á está, agora basta pensar num final, ver as ideias em conflito, lutando para premanecer nas nossas mentes, como pequenas criancinhas a ver quem fica com o melhor lugar... Vá lá! Sejam criancinhas, sonhem! Que mal tem sonhar? :)
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
1º Post
Não é a minha estreia no mundo do blog... Mas sinto como se fosse, porque este será o blog com que sempre sonhei... Um blog sem regras, apenas com as minhas ideias a fluir por todo o lado! Ideias aqui, ideias ali!Ideias! Eu alimento-me delas!Esta sou eu. Posso ser nova mas já tenho a certeza da minha paixão: A escrita!
Há varios amigos meus que me apoiam, outros que acham que não vou chegar a lado nenhum, e há ainda outros que têm a certeza que o meu talento será reconhecido por esse mundo fora!
Por enquanto o futuro não me importa, não escrevo para ter fama! Escrevo porque gosto! Porque me mantém viva! Escrevo porque adoro transpor novos mundos no papel, mundo só meus que passam a ser de todos! Mundos que sonho, mundos que imagino, que melhoro. Mundos à minha medida...
Adoro sonhar! Tenho sonhos fantásticos e lembro-me sempre deles! A minha melhor amiga adora ouvi-los todos! Deve ser a única com paciência XD!
Sobre mim, acho que chega, não sou nem pretendo ser a protagonista deste blog.
Este blog é para as minhas personagens terem o seu próprio mundo...
Foi por isso que decidi criá-lo! :)
Apreciem...
Espero que gostem...
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